• Bruno Aparecido

3 Virtudes Quaresmais que podemos aprender com São José

Nesta Sábado (19) a Igreja celebra o dia de São José, esposo da Virgem, pai terreno de Jesus. E meditar na liturgia a vida deste santo durante o período da quaresma é de extrema importância.

Com São José, podemos aprender três virtudes que a Igreja nos convida viver na quaresma. E tudo isso está no evangelho deste sábado, que relata a anunciação do anjo Gabriel ao pai terreno de Nosso Senhor Jesus.

Segundo DOM BERNARDO BONOWITZ, em sua obra "SERMÕES DE UM TRAPISTA BRASILEIRO", onde nos leva à reflexões dentro do tempo litúrgico. A quarta-feira entrega aos monges (e às igrejas) três instrumentos de boas obras, que são: A OBEDIÊNCIA, o SILÊNCIO e a HUMILDADE. E para bem utilizar destes instrumentos, podemos olhar para a pessoa de São José.


Vamos elencar aqui, brevemente, o que Dom Bernardo aponta de cada uma destas virtudes de São José, para viver uma quaresma mais santa e uma vida também.


A HUMILDADE


O monge trapista deixa claro que diante do encontro com o Anjo, o futuro de São José é tirado de suas mãos e é colocado novamente, mas de uma nova forma.

A partir deste encontro São José deixa de ter uma vida pessoal, "não é mais rei de sua existência; é peão no jogo salvífico de Deus com a humanidade. Se com Maria o arcanjo terá a delicadeza de dizer 'por favor', 'se quiser', 'obrigado', com José ele não age assim. Ele assume que José é um homem às ordens e ele dá ordens. E tem razão. Lendo e relendo o texto a gente percebe que entre os três “anunciados” dos Evangelhos da infância - Zacarias, Maria e José - é só José que não questiona, não pede maiores informações, não sugere impedimentos, não hesita."


Vamos entender mais adiante que todas as virtudes são vividas de forma muito profunda no Santo Esposo. Sem esforços, é próprio de sua cultura.


O SILÊNCIO

Para o monge, o silêncio de São José não é apenas calar-se. Neste momento emblemático de sua história, encontrou-se livre de todo barulho espiritual.


Este é um ponto de aprendizado muito grande que quero colher do sermão de Dom Bernardo. Pois somos convidados, neste tempo de Quaresma, a lutar contra o barulho espiritual para poder mais adiante viver a vontade de Deus diante de nossas cruzes.


O monge explica que: "O barulho espiritual se manifesta quando a vontade de Deus encontra algum obstáculo interior, quando, em vez de poder fazer tranquilamente seu caminho, bate numa vontade diferente, divergente da sua. Neste caso há uma difração. A pura luz branca da santidade de Deus se dispersa, se frustra, ao fazer a experiência de uma resistência ao invés de uma acolhida."


Em São José não houve este barulho espiritual. Por isso viveu uma imensa liberdade interior no encontro com o Anjo.


Tudo era consentimento, disponibilidade, liberdade pessoal oferecida a Deus.

O silêncio de José fez com que não fosse necessário pronunciar nada, pois era um silêncio tão profundo quanto o Fiat da Virgem Maria.


A OBEDIÊNCIA


São José tinha uma forma de vida que não mudava. Esta se continha em OUVIR A VOZ DE DEUS. Seu ritmo de vida era ouvir a voz de Deus e obedecer. Foi assim em três momentos: Tomar Maria por esposa, ir para a terra do Egito e voltar para a terra de Israel.


José, o pai terreno, "aniquilou-se a si mesmo, fazendo-se servo. Viver assim não era sofrimento para ele, e não saberia dizer se era prazer. Era algo mais importante do que qualquer uma destas coisas. Era fidelidade. Era lealdade ao Senhor seu Deus."


Quero destacar aqui, as palavras exatas de Dom Bernardo sobre como São José conseguia ter estes atos de humildade, silêncio e virtude.


Estes atos saíram como consequência natural de sua atitude de reverente humildade e de sua silenciosa pureza de coração. Nele a receptividade se mostrou tão intensa que acabou virando atividade. É isto a obediência: escuta tão perfeita que se torna conduta. Sem o ato, literalmente, “nada feito”.

Com o ato, tido é per-feição, isto é, um fazer-se até o fim.


Somos convidados, todos os dias, a aprender com São José, a sermos este alguém que escuta a vontade de Deus e, consequentemente, corresponde.


Só é possível fazer a vontade de Deus siando de si. Só é possível sair de si com estas três virtudes quaresmais.


Graça e Paz.





Bruno Aparecido

Vocacionado do Discipulado 2

Comunidade Católica Instrumento de Deus