• Bruno Aparecido

CUMPRIU-SE O TEMPO

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E ele esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás; e vivia entre as feras, e os anjos o serviam. Depois que João foi preso, veio Jesus para a Galileia proclamando o Evangelho de Deus: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho”.

(Mc 1, 12-15)


A temática da conversão inicia-se com o entendimento de liberdade de fé. É justamente por isso que nas meditações do Rosário, o terceiro mistério luminoso costuma ser proclamado como: “O anúncio do Reino, e o convite à conversão”.


A conversão é um convite feito por Jesus, mediante à nossa liberdade de fé. Na verdade, em sua vida missionária, em seus anúncios, a Igreja nos ensina que Cristo nos convidou à abraçar e à conversão, sem coagir, sem forçar. Pois, seu ministério foi patenteado nesta forma de amor. E que grande amor!


De qualquer forma, a única condição para entrar no Reino de Deus é converter-se e acreditar, acreditar e converter-se. Não é possível dar um passo sem o outro. Uma fé sem mudança de vida interior, uma fé sem “tirar primeiro a trave do teu olho” (Mt 7,5) de nada adianta. Da mesma forma, atos de santidade, uma postura de perfeição, manter práticas religiosas que demonstrem uma conversão sem uma fé profunda e enraizada, de nada adianta, seríamos como convertidos de fachada, por boa aparência cristão.


E, é justamente por isso que não são os perfeitos e saudáveis que Jesus convida para a mesa do banquete (Mc 2,17), mas você e eu, os pecadores. Aqui vale-nos uma atenção maior. Na Igreja, no período de Quaresma, é comum vermos a frase “convertei-vos e crede no Evangelho”. Que chega a ser um eufemismo uma vez que a palavra de Deus em muitas traduções é clara ao dizer “ARREPENDEI-VOS!”. E é para o arrependimento de nossos pecados que Jesus nos convida. Foi para anunciar o reino de Deus, anunciar a conversão, batizar àqueles que desejassem e perdoar os pecados que Jesus enviou aos apóstolos em missão após a ressurreição. Neste contexto bíblico, podemos afirmar que “Cristo, que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que se afasta do pecado.” (§982)


Além disso, não nos cabe aqui falar de pecados, quaisquer que sejam, e do que você precisa se arrepender. A própria presença de Cristo ressuscitado nos faz reconhecer o que em nós precisa ser convertido.


O pecado é o maior dos problemas, pois é este que nos afasta de Deus. O pecado e os espíritos do mundo e da humanidade comprometem a manifestação completa da realeza de Deus. E é em Cristo, é na Páscoa celeste, na conversão pessoal e na vida eterna a realeza de Deus é restabelecida. O reino de santos, o reino dos eleitos, é este Reino - para o qual iremos, esperamos - onde todos reconhecem Deus como Pai e Senhor. Onde todos reconhecem a Cristo como o Rei que realmente é. Assim, nossa conversão aqui nesta vida, prefigura o Céu. Pois, se o Reino de Deus é um lugar onde todos os santos, livres do pecado, reconhecem a realeza do Cristo. Quando nos convertemos: nos afastamos do pecado, assumimos Cristo como Rei do universo e começamos a viver aqui nesta Terra aquilo que viveremos eternamente no Céu. Fazemos cumprir o “venha a nós o vosso Reino”.


No processo de conversão, vivemos aqui uma preparação.


Recapitulando alguns passos:


  1. Não é possível se converter sem fé ou dizer-se com fé sem viver uma conversão.

  2. Jesus nos convida à fé e nos convida à conversão, não nos força a nada disto.

  3. Somente pela fé e pela conversão alcançaremos a vida eterna.

  4. O Céu é um lugar livre do pecado onde todos reconhecem a Realeza de Deus.

  5. Quando nos convertemos, começamos a viver o Céu presente nesta terra.


Vejamos aqui a generosidade de Deus diante disso tudo. A misericórdia de Deus é tão infinita que não só nos CONVIDA a abraçar à conversão e à fé, como dá à Igreja o discernimento de que conversão é um processo que pode e deve ser vivido todos os dias, decisão após decisão, para que seja aprimorada, pois o Senhor bem sabe o quão enraizado o pecado pode se fazer em nossas vidas.


No mundo dos negócios, entre executivos, quando há um evento ou um jantar empresarial, existe uma regra de etiqueta que diz “quem convida paga”. E Cristo basicamente fez o mesmo com a gente. A quem aceita o convite de viver em fé profunda e em conversão constante, não faz esforço próprio, mas recebe um auxílio, do paráclito.


O Espírito Santo, com seus dons e carismas, desde nosso batismo “procura despertar a fé, a conversão do coração e a adesão à vontade do Pai” (§1098). E, afirma-nos a Santa Mãe Igreja que esta ação do Espírito nos prepara para receber os frutos de vida nova que será produzida posteriormente (na vida eterna).


Mas, ATENTEMO-NOS mais uma vez para a Palavra de Deus. Onde Cristo faz um convite simples respeitando nossa liberdade de fé, e também o nosso tempo, mas insiste, clama, e se preocupa ao dizer “CUMPRIU-SE O TEMPO”. Pois o filho do homem viveu o que precisaria viver, manifestou as graças e manifestou o Reino.


O povo do antigo testamento vivia para uma promessa que era a vinda do Messias. Mas a promessa não era resumida na vinda de Cristo, mas vai muito mais além. Manifesta a possibilidade de um Reino onde poderemos viver em completa e eterna união com Deus.


Agora, desde que Jesus anunciou o Reino e morreu por amor as nossas misérias, corre o relógio de trás pra frente, tendo fim em uma data desconhecida ecoando o grito “CUMPRIU-SE O TEMPO!”. Agora que Cristo já morreu por mim e por você, não é uma questão de esperar o tempo de se converter, é uma questão de entender que ESTAMOS NO TEMPO DE NOS CONVERTER, e este tempo termina quando Jesus voltar, e como não sabemos quando será, é melhor que cogitemos o quanto antes para dizer sim ao convite de arrependimento, ao convite de sentar à mesa do banquete de Cristo.


Uma feliz páscoa, e um Santo arrependimento. Graça e Paz!


Bruno Aparecido

Vocacionado do Discipulado II

Comunidade Católica Instrumento de Deus