Vocação ao Ministério Ordenado

"Todos nós, ministros ordenados, precisamos recuperar o gosto em presidir a Santa Missa com toda entrega como o Cristo se entregou por nós, para que o nosso povo seja alimentado pela nossa entrega total a Nosso Senhor no altar para não darmos de nossos cansaços e rotinas, mas darmos do Senhor que é sempre Novo."


Nesses novos tempos em que estamos vivendo de isolamento social, de distanciamento do nosso povo. Nós, padres, estamos em tempos de muitos conflitos. Muitos estão a evangelizar pelas redes sociais, outros voltaram a atender observando todas as normas sanitárias para a prevenção do coronavírus e muitos podem cair num esvaziamento espiritual de tal forma que podem cair em doenças físicas, psicológicas ou mesmo em esquecer o quão é sublime o nosso ministério.


Tendo em vista o momento em que estamos enfrentando, escrevo para partilhar um pouco de minha preocupação, mas sobretudo a importância do ministério ordenado diante da grandeza de nossa missão junto ao povo, a nós confiado.

São João de Ávila em seus “Escritos Sacerdotais” em destaque nas “Práticas Sacerdotais” afirma que “A sublimidade do Oficio Sacerdotal pede grandeza de Santidade” pede a cada um de nós ministros ordenados que estejamos atentos a grandeza do nosso ministério e do nosso chamado.


Falando aos padres, São João de Ávila afirma o seguinte: “Oh divina bondade, que tanto se manifestou elevando, pondo nas mãos deles o seu poder, a sua honra, a sua riqueza e a sua própria pessoa!”. São João convida-nos a recordar a grande honra de Deus, ter nos dado tamanha responsabilidade de trazer Jesus aos homens para que não percamos essa riqueza que nos foi dada, e que possamos a cada dia renovar o nosso sim, o qual foi dito no dia de nossa ordenação e quão grande é a nossa responsabilidade diante de tamanho “poder” que nos é dado, portanto não percamos de vista a meta inicial, o amor primeiro.


Segundo São João de Ávila, “Cristo obedece aos seus sacerdotes na Consagração” afirmando que “o poder que Deus deu para consagrar, o quão depressa vem, quando é chamado” e questiona: “quem com tanta diligência obedece ao seu superior como Cristo obedece aos seus sacerdotes?”.


Temos que recordar que o padre quando celebra a Santa Missa traz Jesus aos homens e que ao recebermos tamanha dádiva em nossas mãos, não podemos cair na rotina e nos esvaziamentos e no descuido do quando celebrarmos a Eucaristia todos os dias, cairmos no mecanicismo ou nas pressas rotineiras. Mas, devemos sim celebrar como se a Missa celebrada fosse a primeira e a última missa que celebramos, com o mesmo amor e a mesma intensidade com que Cristo nos “obedece” na Consagração, assim também possamos obedecer à promessa que fizemos no dia de nossa ordenação.


E nos escritos sacerdotais, podemos ler esse questionamento: “Quem depois de ter consagrado, não fica atônito, ou com profunda humildade não diz ao Senhor à semelhança de São Pedro e São João Batista: “Tu Senhor, vens a mim?” (Lc 5,8; Mt 3,14)”. Aqui São João nos alerta para que não pequemos ao celebrarmos a Santa Missa. Eu me lembro que nos primeiros meses de meu ministério desde o primeiro dia eu me emocionava ao chegar o momento da Consagração. E todas às vezes em que me vejo caindo na rotina, no estresse que as inúmeras atividades, que assumo por obediência ou por livre vontade corro o risco de não me encantar mais pelo Mistério celebrado ou mesmo perder a intimidade com Nosso Senhor na Eucaristia.


Todos nós, ministros ordenados, precisamos recuperar o gosto em presidir a Santa Missa com toda entrega como o Cristo se entregou por nós, para que o nosso povo seja alimentado pela nossa entrega total a Nosso Senhor no altar para não darmos de nossos cansaços e rotinas, mas darmos do Senhor que é sempre Novo.


“Quem quiser honrar Cristo, lembre-se dessa honra que Dele recebe. Quem fora do altar, quiser andar composto e com a gravidade que deve, lembre-se de quão engrandecido foi e de quão importante a função que ocupou no altar. Se o demônio ou a carne, ou o mundo o tentar fora do altar, lembre-se de quão apreciado, beneficiado e consolado foi por Deus no altar, e diga com São Jose: Como posso fazer esse mal e pecar contra o Senhor, meu Deus? (Gn 39,9)”. Portanto, meus irmãos, somos a cada dia convidados por Nosso Senhor a guardar a nossa fidelidade, ao tão grande mistério de amor, e a nos esforçarmos pra recordar que essa “honra” deve nos fazer voltar a Ele como centro de nosso ministério e missão.


São João de Ávila afirma que “a língua do sacerdote é chave com que se fecha o inferno e se abre o céu, se abrem as consciências e se consagra a Deus. Se quisermos, padres, pecar com a língua, peçamos outra língua emprestada; que esta com a qual consagramos a Deus e fazemos tão admiráveis efeitos de modo algum a poderemos empregar para servir ao demônio com ela”. Nós, padres, precisamos recordar que a nossa língua é para abençoar, para bendizer a Deus e suas criaturas e levar o nosso povo a esse amor para com Nosso Senhor. Devemos como consagrados a Deus pelo ministério ordenado fugir de toda e quaisquer divisões entre nós, clérigos, e nos esforçamos a uma verdadeira fraternidade sacerdotal. Se o nosso povo nos vê criticando ou falando mal de outro irmão no ministério falamos de nós mesmos, e assim perdemos o referencial junto às ovelhas a nós confiadas.

Os escritos nos falam, sobretudo da santidade na vida do ministro ordenado afirmando que: “estamos longe daquela santidade que o nosso ofício pede; e se nisto não reconhecemos, cegos estamos...”. “O sacerdote é um espelho e uma luz na qual se hão de olhar os do povo e vendo-a, reconheçam as trevas em que eles andam e remorda-os o seu coração...”, portanto, devemos nos tornar homens que buscam a cada dia rezar a Liturgia das Horas, retomar a prática da Leitura Orante da Palavra de Deus, prepararmos bem as homilias, rezarmos pedindo o auxílio de Nossa Senhora pra que possamos irradiar santidade ao povo que anda sedento de Deus em tempos tão difíceis.

Por fim, tenhamos claro sobre o nosso ministério ordenado: “somos relicários de Deus, casa de Deus e, em certo sentido, criadores de Deus”. Que todo povo reze pelo seu padre para que não percamos o vigor, rezemos pelos nossos bispos para que apascentem e amem os padres para que estes sendo amados, possam amar a vós, ovelhas, do Sumo e Eterno Pastor Jesus Cristo.


Que Deus abençoe a todos.


Pe. José Roberto Pereira.


Bibliografia

ÁVILA, São João. Escritos Sacerdotais, Paulus 2016 ( pg. 228 - 237

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